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quarta-feira, 24 de junho de 2009

Até o poeta maior não deixou de homenageá-la


NO CORPO FEMININO

Carlos Drummond de Andrade


No corpo feminino, este retiro - a doce bunda - é ainda o que prefiro. A ela, meu mais íntimo suspiro, pois tanto mais a apalpo quanto a miro. Que tanto mais a quero, se me firo em unhas protestantes, e respiro a brisa dos planetas, no seu giro lento, violento... Então, se ponho e tiro a mão em concha - a mão, sábio papiro, iluminando o gozo, qual lampiro, ou se, dessedentado, já me estiro, me penso, me restauro, me confiro, o sentimento da morte eis que adquiro: de rola, a bunda torna-se vampiro.

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